Aí vai meu apelo infeliz:
Alguém, por obséquio, reviva Fernando Pessoa!
Minha paz está por um triz.
Melhor que Freud, ele explica o grito que dentro de mim ecoa
Vazios que se completam
E tornam-se vazios novamente.
Sensações que chegam e não se hospedam;
Usurpam e largam-me rapidamente.
Ah! Como queria eu possuí-las.
Controlá-las.
Instruí-las.
Encaminhá-las
Não posso, não quero e nem devo. Contradições!
São como a gente que me cerca.
Não pensem que eu sou assim, ditadora.
Só queria ter uma ou outra pessoa certa.
Para poder conversar, sem consultar a hora.
Por isso eu personifico tais sensações
Para poder organizá-las e ouvi-las.
Quem sabe um dia, deixarão de ser ilusões
E tornar-me-ão uma só. Nada de heterônimos em fila.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Pessoa e os transeuntes da vida
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Anseios, de Florbela Espanca
Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!…
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!
Não ´stendas tuas asas para o longe…
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar!…
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!…
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!
Não ´stendas tuas asas para o longe…
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar!…
terça-feira, 9 de junho de 2009
Abdicação
Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
Fernando Pessoa
E chama-me teu filho... eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
Fernando Pessoa
segunda-feira, 8 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
HUM!
Esse pseudo-verão!
O cheiro das flores, a brisa mansa.
Me fazem lembrar nossa belle-epóque:
você e eu em foque.
O cheiro das flores, a brisa mansa.
Me fazem lembrar nossa belle-epóque:
você e eu em foque.
Balança
Meta fora a metáfora.
Chega de floreios!
Seja direta
não tenha anseios.
Se ruins são as consequencias pra você,
experimente minha pele:
abacaxi para quem usa,
pêssego para quem ve.
Chega de floreios!
Seja direta
não tenha anseios.
Se ruins são as consequencias pra você,
experimente minha pele:
abacaxi para quem usa,
pêssego para quem ve.
Volta
E agora que estás voltando,
Que não demoras a retornar
Um sorriso desabroxando singelo
Em meu rosto, está a se formar.
Porque fostes partir?
Da minha vida evanescer
Sublimando lentamente
Até o que tínhamos, morrer.
Mas tristezas são pro passado
Presente não merece sofrer
E agora que estás voltando
Devemos tudo esquecer.
Que não demoras a retornar
Um sorriso desabroxando singelo
Em meu rosto, está a se formar.
Porque fostes partir?
Da minha vida evanescer
Sublimando lentamente
Até o que tínhamos, morrer.
Mas tristezas são pro passado
Presente não merece sofrer
E agora que estás voltando
Devemos tudo esquecer.
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